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Os 20 anos do excelente Thelma & Louise

No último dia 24, o drama-de-estrada Thelma & Louise completou 20 anos. Vencedor do Oscar de melhor roteiro original (curiosamente, até hoje Callie Khouri não conseguiu um acerto grandioso) e indicado para os prêmios de melhor filme, diretor (Ridley Scott), atriz (dupla indicação para as formidáveis Susan Sarandon e Geena Davis), edição e cinematografia, o longa marcou época por contar um enredo sobre a auto-descoberta de duas amigas, maltratadas em casa e que cruzam as estradas durante um fim-de-semana atrás de um pouco de “ar fresco”. Alguns vão dizer que o longa é feminista, outros que faz apologia ao suicídio (argumentação fraca, por sinal). Mas a verdade é que, apesar da situação de Thelma e Louise piorar a cada minuto, torcemos pela vitória delas.


Sobre tal vitória, a cena que mais chama atenção é, certamente a final, quando elas estão encurraladas pela polícia. Realmente, um dos grandes momentos que o cinema pôde proporcionar nas últimas décadas:

(Desconsidere o vídeo caso não tenha visto o filme):

Crítica do encantador Enrolados

Pegue diretores-roteiristas em ascenção (Nathan Greno, Byron Howard e Dan Fogelman, de Bolt – Supercão e Irmão Urso); na melodia, adicione as letras e arranjos de Alan Menkel (Oscar de melhor canção por Aladdin, 1993); dê uma atenção diferenciada para os coadjuvantes (cavalo-cachorro? camaleão-sapo? guerreiros bárbaros artistas?); e por fim, capriche no 3-D.o longa de animação numero 50 da Disney, Enrolados (Tangled, 2010) prova ser muito digno dos grandes clássicos de princesas, além de marcar o retorno dos tempos que a produtora agradava em unanimidade crítica e público.

Na nova roupagem do clássico dos irmãos Grimm, Rapunzel, acompanhamos de inicio as desventuras do ladrão-bonitão Flynn Ryder (no original, dublado por Zachary Levi e na nacional, Luciano Huck). Durante uma fuga, Ryder encontra uma torre e lá decide esconder-se. Entretanto, após a subida, o rapaz é “frigideirado” e imobilizado por Rapunzel (Mandy Moore, na versão original), uma belíssima e espirituosa jovem que foi proibida de sair de casa devido aos mandos e desmandos da Mãe Gothel (Donna Murphy), uma mulher que no passado, seqüestrou a menina ainda bebê (no início, vemos o porquê de Rapunzel nunca cortar os cabelos). Após a nada agradável primeira impressão, a moça, que sempre sonhou em visitar um tradicional ritual de “estrelas” feito em um castelo, obriga Ryder a leva-la. Não demora para que a mãe postiça de Rapunzel descubra o passeio (há uma ligação entre os cabelos da moça e longevidade de Gothel).



Assim como o delicioso Encantada (2007), Enrolados (des)constrói de maneira fascinante e com melhores resultados uma personagem já conhecida do grande público. O título Enrolados é perfeitamente adequado ao casal principal, em especial, nas características de Rapunzel, cuja personalidade passeia entre o espirituosa-pulso filme-receosa-pulso firme (o início da fita exemplifica muito bem isso). A recente desconstrução de figuras clássicas do imaginário infanto-juvenil têm resultado em longas animados de muita qualidade (Shrek será um referencial por um longo tempo). Caso essa tendência seja mantida, ficaremos tranqüilos quanto ao futuro do gênero. Contando com momentos de belíssimo impacto (a cerimônia das lanternas, realçada no 3-D é uma das cenas mais emocionantes de 2010), canções divertidas (as chances de Alan Menkel faturar um novo Oscar são gigantescas) e um bom enredo (apesar do tema, o filme agradará meninos e meninas), Enrolados é o melhor trabalho da distribuidora desde Tarzan. Que as lanternas iluminem os caminhos das animações Disney.








Nota: 9.0

Trailer:



Elenco completo e informações técnicas, no IMDB.

(Fotos e pôsteres do Yahoo! Movies e IMP Awards).

Crítica do interessante Tron – O Legado

Tron – O Legado (Tron: Legacy, 2010)

São poucas as pessoas que se lembram da aventura Disney de 1982, Tron – Uma Odisséia Eletrônica (Tron, 1982). Os mais informados afirmam que o visual inovador para a época não seria digerido facilmente pelo público (anos depois, a obra seria cultuada por cinéfilos-nerds). Mesmo com essa desvantagem, a Disney insistiu na premissa hi-tech e lançou uma continuação 28 anos depois, com resultados animadores.


Parte do roteiro do primeiro capítulo é explicado brevemente no início de Tron – O Legado, do diretor Joseph Kosinski (após a primeira experiência no Ciberespaço, Kevin Flynn torna-se obcecado em criar um mundo perfeito em computador e transpor ao mundo real tal proposta). Passados vários anos do desaparecimento de Kevin, Sam Flynn, filho dele, recebe uma mensagem vinda de um antigo fliperama que o pai comandava (quem repassa o recado é Alan Bradley, parceiro de Flynn no anterior). Curioso por mais informações, Sam descobre alguns computadores escondidos no local. Enquanto operava uma das máquinas, Sam é “tragado” por uma delas. Momentos após chegar ao universo eletrônico, Sam é devidamente enviado para uma série de desafios mortais, incluindo a famosa corrida com motos luminosas. Durante a prova, é salvo por Quorra – essa leva o rapaz para a casa do pai (ela é protegida por Kevin há vários “ciclos”). Após o encontro inicial, Kevin explica ao filho sobre os perigos do lugar depois que Clu (um programa criado por Kevin que era inicialmente incumbido de proteger o ciberespaço) se tornou um déspota do ambiente virtual.



O grande chamativo do capítulo anterior era a ambientação curiosa do hostil universo eletrônico da trama. Tron – O Legado não só capricha ainda mais nesse fator como também deixa para novas ocasiões a possibilidade de expandir outros pontos e personagens do enredo. Antes, um ator de escassas chances notáveis, Jeff Bridges retorna ao papel de Kevin Flynn agora já consagrado por público e crítica, e com uma maior importância. De início, as caras e bocas de Clu (interpretado também por Bridges) soam um tanto bizarras, mas pouco a pouco, essa impressão vai sumindo – o mesmo não pode ser dito de Michael Sheen, no papel de um tresloucado armazenador de informações. Mesmo contando com alguns atores fracos (as caras de sonso de Garrett Hedlund e a belíssima Olivia Wilde pouco ajudam), Tron – O Legado compensará pelos grandes momentos de tensão (a excelente trilha original da dupla Daft Punk provou ser essencial), pelas inovações no elenco (a digitalização de rostos pode tornar-se uma tendência interessante em um futuro próximo nos cines) e no resgate da concepção dos universos hi-tech-sci-fi (a busca da perfeição tecnológica para melhora das condições de vida). Agora é esperar para conferir quais serão as pautas do próximo capítulo.











7.0

Trailer final:


Elenco completo e informações técnicas, no IMDB.
Saiba outras curiosidades sobre Tron aqui.
 
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